Morre-se muito por aqui. Diariamente convivemos com pessoas que recentemente perderam parentes e amigos. Hoje recebi a notícia que uma adolescente, irmã do professor do João, morreu na sexta. O cunhado do Henriques, que nos ajuda, morreu hoje. O Ali que encontrei no sábado perdeu há algum tempo uma filha de 4 anos. A pastora que encontrei no banco perdeu um filho de 1 ano e uma neta há dois anos atrás.
Quando Cesinha chegou do Brasil os trabalhadores do CECORE perguntaram como estava sua família. Ao dizer a idade do meu sogro todos ficaram espantados. “Não é possível alguém viver até 84 anos!”.
A região norte de Moçambique, aonde moramos, é a mais empobrecida do país. Aqui é onde as mazelas doem mais. Malária, cólera, HIV, são rotina. Com exceção do HIV, muitas doenças poderiam ser evitadas com melhoria no saneamento básico. Isso salvaria muitas vidas. Mas o dinheiro não chega, a vontade não ajuda, o pecado embarreira. Enquanto isso, logo ali: botox, vitaminas, dietas contra radicais livres.
Fico pensando num filme que vi recentemente “In time” em português "O preço do amanhã" aonde poucos tinham muitas horas de vida e muitos apenas um dia. Soa familiar?


