quarta-feira, 3 de abril de 2013

Páscoa Eterna

Hoje, afastada dos coelhinhos, dos deliciosos ovos de chocolate e de toda propaganda adjacente (aqui não tem nada disso), tenho um novo olhar sobre a Páscoa. Aliás, acho que deveria ser uma festa até mais importante do que o Natal, afinal no Natal Jesus nasceu, mas na Páscoa ele reconciliou todas as coisas com o Criador. Isso é lindo, muito lindo. Deus encarnado, sua vida nos levando para o único lugar em que tudo faz sentido: ao lado do Pai.
Na escola do João participamos de uma encenação sobre a Páscoa. Fizemos uma caminhada por diversos lugares (Monte das Oliveiras, Gólgota) enquanto as crianças faziam o teatro sobre os últimos dias da vida de Jesus, sua morte e ressurreição. Toda a "platéia" estava também vestida com as roupas do tempo de Jesus (no nosso caso uns panos enrolados).
Quem consegue achar o Joca e a Sosô na multidão?

No domingo tivemos um culto normal em nossa igreja, mas foi um repleplé daqueles. Estava mais para Pentecostes do que para domingo de Páscoa.
Algumas pessoas foram profundamente tocadas pelo Espírito Santo e em sua maioria mostravam uma nova liberdade na adoração. A Lau tirou algumas fotos do celular, que apesar de não estarem muito nítidas vou colocar aqui.
 
 

 
Essa mamá do meio se chama Filomena. Ela perdeu seu filho de 1 ano e meio há um mês e era uma das que mais celebrava. Eu e ela cremos no poder da ressurreição e sabemos que por causa da  morte de Jesus vamos poder nos encontrar com o Davizinho em breve. Feliz Páscoa pra você hoje e sempre!





segunda-feira, 4 de março de 2013

CAMPANHA APADRINHAMENTO 2013





PARA PARTICIPAR:

BASTA ENVIAR E.MAIL COM:

NUMERO DE CRIANÇAS, SEU E.MAIL PESSOAL E SEU TEL CELULAR COM DDD. DEPOIS É SÓ ESPERAR QUE VAI RECEBER TODAS AS INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS. VAMOS LÁ!
                                                                    PARTICIPE!!!!!
                                                               

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Emoções

Costumo achar meu trabalho o melhor do mundo, afinal é assim que eu sou recebida todas as manhãs.



Mas tem dia...tem dia.... que eu me pergunto o que exatamente eu estou fazendo nesse mundo.
Hoje conheci Verônica, mãe de 7, viúva, cuja casa caiu. Ela me pediu carona para deixar 3 dos filhos dela em um orfanato. As freiras não aceitaram nenhuma das crianças alegando que elas tinham que ser órfãs por parte de mãe. As crianças estão doentes e moscas voavam no rosto delas enquanto conversávamos com a freira. Saímos de lá com 10 quilos de alimentos e a promessa de que ela poderá buscar mais no próximo mês. E eu tive que voltar para Carrupéia com ela e os filhos e levá-la para a casa que ela está morando de favor. Tipo assim, que trabalho é esse? Eu queria levar as crianças pra minha casa, eu queria dar banho nelas, eu queria arrumar uma casa para elas, eu queria....mas depois de alguns anos trabalhando com a pobreza eu sei que nada disso vai mudar a realidade delas. E o que vai mudar? É um processo e pode demorar anos.
E quantos outros estão ali em situações semelhantes? Lembro do Cesinha pregando sobre quem é meu próximo. O próximo é quem está próximo. Então amanhã eu e minha próxima Verônica vamos levar as crianças no hospital. E depois? Depois, não sei.  E eu não sei aonde colocar essa dor e aonde colocar a dor de às vezes não sentir dor.
Então divido um pouco aqui com vocês, meus amigos do blog.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Pessoas que eu admiro

Em qualquer parte do mundo, apesar de todo sofrimento e dor, encontramos pessoas admiráveis. Aqui em Moçambique tem sido assim. Existem os desconhecidos admiráveis com os quais cruzo nas ruas todos os dias e outros conhecidos que tem passado pela minha vida deixando um rastro de felicidade e esperança. Com prazer, quero apresentar alguns deles.

Ms.Dancy, professora do João na única escola internacional cristã que temos aqui. Só de trabalho na área do ensino ela tem 47 anos. Hoje, por volta dos 70 anos, ela é responsável por uma sala com 11 alunos em idade pré escolar.

Meus alunos do curso de formação de professores de educação infantil. Muitos vieram de cidades distantes para participar do curso e melhorar sua atuação como professores. Três das alunas estavam acompanhadas dos seus bebês durante todas as aulas, sendo um deles de apenas um mês.

Patrícia e Leonie, duas jovens alemãs que vieram trabalhar como voluntárias através de um programa americano. As duas estão indo embora na próxima semana e com apenas 6 meses aqui já falam português. Elas moraram com famílias moçambicanas vivendo e comendo com eles em todo tempo na maior alegria e disposição.

Família linda que eu amo. Serviram aqui em Moçambique por quase 4 anos e agora estão voltando para o Brasil para uma nova etapa, com novos desafios. Vão deixar muitas saudades.

Ficou inspirad@? Eu fiquei : )
Uns vão outros ficam, mas o trabalho por aqui continua!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Línguas de chuva

      Na língua macua as primeiras chuvas são chamadas de "aparição de Deus", dada a sua importância depois de um longo período de seca. Aqui no norte a "aparição" se dá mais ou menos a partir da segunda quinzena de novembro continuando até meados de janeiro. É nessa época que as pessoas fazem o plantio do milho branco (base da alimentação daqui), já que o milho precisa de muita água para se desenvolver bem. Acontece que nesse ano Deus "apareceu" por aqui e depois foi aparecer por outras bandas. Tivemos algumas chuvas logo no começo de novembro e depois.....nada.
     Passamos então a enfrentar a época mais seca desde que nos mudamos pra cá em junho de 2010. O poço apesar de ter sido novamente "afundado" não conseguiu produzir quase nada de água. A solução era comprar água de 3 em 3 dias na central de água daqui (FIPAG). Nos últimos tempos a necessidade era tanta que para conseguir 2000 litros tínhamos que passar umas 6 horas na fila. Nós temos condições financeiras de comprar água, e a maioria das pessoas que vivem aqui? Muitos caminhavam longas distâncias para poder encher seus galões de 25 litros, sempre transportados na cabeça. Era muito comum ouvirmos o seguinte diálogo:
- Como vai a saúde lá em casa?
- Estamos bem, mas iiiiiiiihhhhhhhhh, muito sofrimento de água.
    Sofrimento de água. E ao perguntar para as pessoas porque não chovia a resposta era: Deus está nos castigando, ou os feiticeiros não deixam chover porque os meninos ainda estão no mato. Isso significa que ainda havia muitos meninos participando do ritual de iniciação masculino (masoma) aonde eles são circuncidados e ficam cerca de 1 mês para curarem e voltarem para casa.
    Nesse ano resolvemos  fazer o masoma lá no CECORE com 23 meninos. Decidimos assim porque além das questões espirituais e de saúde envolvidas, no mato, as crianças costumam apanhar, ser humilhadas e ofendidas no ritual tradicional (pra ver se vira homem). Os meninos estão lá no CECORE, nas salas recém construídas. Só saem para ir ao banheiro e mesmo assim por um corredor de palha, pois nós mulheres não podemos vê-los.
    São um pouco mais de três da manhã e eu tive que levantar para escrever esse texto. Sabe porque? Acaba de chover. A empolgação era tanta que não consegui voltar a dormir. Chuva, em macua é epula, só separada da palavra nariz por um h (ephula). Aqui a chuva não cai, ela dorme (orupa). Acho que então vou dormir também.
  Hoje para mim as palavras de Davi têm novo significado:
"Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma."


sábado, 20 de outubro de 2012

Caju e outras delícias

Quem visita a província de Nampula tem o privilégio de ver cajueiros espalhados por todo canto. E agora chegou a época de saborear essa fruta exótica (em breve... época de manga!) que pode ser comida no pé ou ser transformada em suco ou doce. Junto com a fruta...a castanha. Aaaah, a castanha......! Tudo muito bom.
Pra ficar melhor ainda, o tempo que tivemos aqui com a equipe do Brasil foi delicioso. Tempo de renovo, tempo de paz, tempo de dar e receber. Fica a saudade, mas a forte certeza de que essa viagem mudou a vida de muita gente.
A equipe desenvolveu trabalhos com crianças na área de esporte, saúde e ensino. Visitaram vários lugares na traseira do caminhão levando sorrisos e palavras de amor.
Seguem algumas fotos para quem não tem face (o face está lotado de fotos) e no final, a prometida receita.

Beringela Light

3 beringelas
500 gr de castanha de caju
1 dente de alho
Azeite e sal a gosto

Partir as beringelas em rodelas e polvilhar sal por cima. Deixar descansar 15 minutos. Depois apertar as fatias com um pano para tirar o excesso de sal e água da beringela (isso é para não amargar). Partir as rodelas em tiras e misturar com o alho socado, sal, azeite e castanhas. Assar até a castanha ficar dourada. Quem gostar pode acrescentar uva passa, azeitona, pimentão vermelho e amarelo e por aí vai! Bom apetite!



quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Chegadas




E o caminhão chegou!!! Depois de exatos 30 dias em Maputo, meu marido voltou pra Nampula. Que saudade! Aproveito para agradecer ao nosso amigo Marcelo que esteve em Maputo com ele durante toda a saga para conseguir os documentos. Muito estresse, mas muitos casos para contar também.
Poucos dias antes deles, chegaram também a família do Luciney, Lau e Rodrigo e Elisângela Mateus. Elisângela veio para passar apenas 15 dias, mas Lau e Rodrigo vieram para colorir ainda mais nossa equipe.



Nessa foto, a Elisângela está com o grupo de mulheres artesãs que tem produzido lindos trabalhos com capulanas. A outra Eliz tem liderado esse grupo que se encontra às quartas feiras.
Amanhã chegam mais 19 pessoas, um grupo de jovens da nossa igreja trazidos por Marcelo e Ceres. Estamos na expectativa da chegada deles, que não trabalharão só em Nampula, mas também em outras duas cidades aqui perto, Nacavala e Chocas.
Aqui começou a época do caju. Muito caju. No próximo post vou falar um pouco sobre como é preparada a castanha de cajú e passar para vocês uma deliciosa receita com a castanha.
Abraços e até lá!